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sábado, 12 de março de 2011

AS MULHERES BELAS


São as mulheres belas que nos testam
Buscando nossos olhos de desejos
São elas que nos levam aos despejos
De tantas malqueridas que as invejam...

Seus sonhos de carinhos e de beijos
São dádivas de deusas que festejam
Caminhos e armadilhas que florestam
Em homens aos seus gostos tão sobejos...

Mulheres que amaremos pelas vidas
Onde quer que estejamos como atores
Do amor que nos reclama iniciativas...

São elas que nos fazem sofredores
Vítimas de chegadas e partidas
Amantes de seus dotes e esplendores...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade - 2004)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

LUXÚRIA E VAIDADE


Letras, áudios, imagens e ofertas;
Dietas, perfumes, cremes e receitas.
Beleza das coxas, rostos e tetas;
E as bundas renovando as etiquetas...

Esplêndidas mulheres do planeta:
Loiras e negras, chinas e morenas;
Índias, mulatas, latinas ...Ninfetas,
Retas, cheias, boasudas e caretas...

Sem nexos os free sexos de venetas.
Liturgias das sensações nas festas:
Luxúria e vaidade das eleitas!...

Inversões dos tesões rasgam facetas.
Tristeza monogâmica das seitas;
Derrotas dos sermões e dos profetas!...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade – 2005)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

UMA CRUZ


Abro os braços olhando imensos céus,
Enquanto você me dá adeus e à vida,
Do alto da ponte ao chão desta avenida
Refletindo a dor nos arranha-céus...

Leio as páginas longas – deprimidas –
De teu diário me tornando um réu;
Embora as linhas que você me escreveu
São-me valiosas e belas jazidas...

Enquanto eu me despeço de teu corpo,
Não sabendo quem seja o mais morto,
Eu ou você – e quem é o mais infeliz...

Uma cruz, que nos meus braços se encerra,
Atinge o céu da paixão que desterra
Teu coração que, um dia, não me quis...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade – 2003)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

POETA E POESIA

Entardece nas ruas da memória
Esperar então?... Tudo mais difícil!
Procuro imaginar-me em outro ofício
Retratando o caos de nossa história

Os primeiros encontros dão vitória
Ao poema sem rimas e sem vício
Mas algo grave ...mais forte e fictício
Desvanece a amorosa trajetória

É tarde ...É noite ...São noites e tardes
A Estrela Dalva rompe dos universos
Como a única luz dos nossos versos

Medos, lutas, paixões ...vidas covardes
Sonhos ...amor e traição ...longos enredos
Rimaram teus caminhos e segredos...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade-2005)

sábado, 29 de janeiro de 2011

VEM LIBERDADE

Vem liberdade qual a luz do dia!
Ajuda-me a escrever este soneto.
Eu sei que tu me lembras a judia
Criança, assassinada em triste gueto...

Do caos da escuridão nasceu teu feito:
Lutas contra a história longa e fria...
Não! Para as mortes negras em Soweto,
Não! Somália da fome e tirania...

Vem liberdade diz os teus segredos!
Livra-nos dos grilhões dos egoísmos,
Por onde plantamos tantas guerras...

Que teu mundo de paz apague os medos
De nossos corações, ante os abismos
Do mal a debater-se em nossas terras...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade-2003)

O PADRE E O MENDIGO


O sino bate... A Igreja se aventura
Em resgatar o Mestre redivivo...
João mendigo, perto da escultura
Do Senhor, xinga o padre Benedito!

Brada ele sem perdão: - “Padre maldito
Pára de rezar, sai dessa clausura...
A mulher que te quer tem te erigido
Em noites distraídas de censura...”

Sabe o padre de fé que é sim Letícia,
A dita cuja que o pedinte infama
Sem medo de ser alvo do exorcismo...

Então com o ar dum santo ...um tanto bicha,
O padre pensa os beijos da mundana,
Professora de um outro catecismo!...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade - 2004)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A LOUCA

A Praça da Sé é o local onde ela habita,
Mísera mendiga acuada no desencanto.
Sinto o meu peito arder ao seu dorido pranto,
Que a populaça escuta, desdém e até evita...

“- É louca, é velha, é pedinte, é maldita!”
Cismam todos, ao vê-la, sem nenhum espanto.
E eu passo e a vejo imponente num sujo manto,
Que a coitada agarra no estertor que lhe agita...

Percebo que ela conversa com o vazio:
Resmunga, aponta, vocifera e enfim implora
Como se visse um monstro que lhe apavora...

E sensitivo escuto estranho vozerio:
“- Rainha assassina!”. Acusam-na, sem perdão,
Almas já mortas que a perseguem em legião!...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade–2006)

SONETO DO ENAMORADO


O afeto que você sente por mim
É pétala da mais pura amizade,
Mas pode florescer também ...e assim,
Do desejo d’eu amá-la de verdade...

- “A amizade distancia-se do amor!”,
Afirmam sábios da realidade...
Contudo, minha amiga, este fervor
Febril por você... é proximidade!...

É ternura aqui perto e lá distante,
É paixão para lúdicos caminhos...
E é prazer aos teus olhos tão brilhantes...

A minha amizade é amor gritante...
Sina de mão sagrada onde carinhos
Plantaram os amigos e os amantes!....

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade–2002)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

DONA ROSA MARIA


Dona Rosa Maria
Naquele Dia
Não quis ir ao cafezal

Usava um vestido
Estampado
Com lindas hélices

Saiu de sua cozinha
Apanhou a chave da porta
Desligou a campainha
E fechou o registro do gás

A prole na escola
O marido na boleia
Do caminhão indo pra roça
Mas ela... não queria
Lavar a louça

Vigiou ... vigiou!
Fez um exame da rua
Encenou um sorriso brejeiro
E com a proeza
De seus quarenta anos
Arrumou o broche
Antes de por o xale
E apertou o cinto
Meio frouxo

Lembrou-se mais uma vez
Da enxada e da vassoura
Mas refletiu no passeio
Pela cidade
E inchando as bochechas
Soltou um "suspiro" de alívio

Olhou de relance
Um quadro na parede
Era o retrato da Virgem Maria
Então pensou
Naquela sacrossanta vida
E uma ânsia lhe invadiu o interior

Saiu!
Pôs-se a caminhar através da via
Apertou a bolsa
Entre o ventre e o braço
Apressou os passos
Pela escassez do tempo
E assumindo
Uma atitude de majestade
Mudou os gestos costumeiros
Silenciando as próprias dúvidas

Pressentiu então o momento
Em que estaria à mercê
Dos ardentes carinhos
De seu amante Luís
Um homem de cabelos ruços
Que fumava charutos caros
E vestia ternos de linho

Que a esperava de praxe
No pátio arborizado e colorido
Da praça principal...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade–2002)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O QUADRO


Olhava o quadro torto na parede...
Retratava as marés vencendo os barcos;
E os pescadores nus puxando as redes
Quase vazias dos cardumes parcos...

Uma angústia, intensa como a sede,
Rompeu entre torturas os meus marcos;
E, em vasta compulsão de quem se excede,
Ajeitei o quadro às leis de meus arcos...

Suspiro e alívio - lídima obra reta...
Cura aparente de minha agonia,
Ansiedade profunda que se aquieta...

Os bravios mares contra a calmaria,
As embarcações teimam novas pescas:
Minh’alma navegada por fobias...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade–2005)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

MADALENA


As ruas são sinais de teus caminhos,
Escuras ou trilhadas entre céus...
E mostram teus delírios femininos,
Tuas curvas... Esquinas e bordéis...

Os faróis iluminam teus desejos,
Janelas gemem nos arranha-céus...,
As buzinas ecoam teus desatinos
E os amantes te aguardam nos motéis...

Postes e muros... Guias e sarjetas,
Bancos das praças... Árvores das vilas...,
Tatuam tuas nádegas e tetas...

Mas tal qual Madalena apaixonada...
À luz da lua ficas tão tranquila,
Mercê de quem te avista na calçada!...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade - 2005)

domingo, 26 de dezembro de 2010

LEONORA


Perto do porto eu vi a tua figura:
Mulher, mãe, irmã ...amante sofredora.
Verti da escuridão minha amargura...
A dor que, n’alma nua, sangra e chora!

À sanha do amor, que o mar se aventura,
Vi as marcas de teus beijos, Leonora...
Ah que saudade! Lânguida candura,
Conquistada por quem não te enamora.

Lúcida, espelha a lua a mesma imagem
E novas naus segredam a linguagem
Que se expressa ao suplício de teu corpo.

As ondas remarulham os meus sonhos...
Tu ficaste. Eu parti sem teus risonhos
Amores...- Farol deste meu deporto!

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade–2005)
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