sábado, 6 de agosto de 2011

CANÇÃO DO TEU AMOR


Ó Amor
Ouço os teus gemidos
Aos risos cheios de quereres mais

Perpasso por teus Sóis
Invado o teu céu de amor
Em infinitos ais

Acompanham as tuas canções
As cigarras madrigais

Uma manhã resplandece
Acordo nas dunas
Dos teus apetecíveis
Seios

Sangrando de paixão num mar
De devaneios
Brilhando a cor rósea
Do teu
Luar

Ilumina-se o teu olhar
Enquanto eu semeio
Os teus beijos
No meu corpo
Que vive em recreio
Escarlate mente
A te delirar...

Ensaio
Desmaio
No teu poema
Atraio
Saio
Caio

Amor febril
Sem til
Sem fim
Relicário

Feliz de mim
Que conheço os detalhes
Que ardo em desejo
Nos teus interiores
Nos teus meios
Nos teus furores
Fatais segredos
Quebra-cabeça
De teus retalhos...

E nas madrugadas
Pétalas de flores
De teus anseios
Explodem das estrelas
De teus orgasmos
De mulher ferina
Atrevida
Destemida
Poderosa

Molham os corredores
De minhas linhas
Por onde eu
Percorro tuas ilhas
Revelando ardências
carinhos
carícias
e espasmos

E nesta paixão dou adeus a solidão...

Gigio Jr (Poemas da Juventude – 1985)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

VENCIDO AMANTE


Procuro-te nas ruas devassadas,
onde os passos teus venceram as trilhas.
Percorro escadarias profanadas,
ladeiras vigiadas por quadrilhas...

A cada esquina escura ultrapassada
reaprendo a rezar tuas cartilhas;
e vejo, penso e sinto a madrugada
me afastando de tuas maravilhas...

Oh noite, que me oculta a rara estrela,
não me afaste o desejo de retê-la,
à luz da lua linda e nossa amiga...

Pois te procuro, cúmplice da errante
vida, que fez de mim vencido amante,
amado em vão por uma rapariga!...

Gigio Jr (Canções – 2008)

sábado, 23 de julho de 2011

DESPERTAR


Desperto na manhã, entre neblinas,
Com olhos que trespassam pelos cômodos.
E, a memória de um sonho, alegre e vívido,
Impregna minha alma de esperança...

Percorro a natureza dos instantes,
Ouço aves que gorjeiam suas vidas;
E a voz, que me roufenha na janela,
Ao olhar do céu, boqueja e silencia...

Desperto e no meu corpo só vestígios
Dos passos de antigos caminheiros:
Encontro de cansaços com as horas...

Por onde o meu retrato rompe espelhos,
Branqueiam-se os fios de meus cabelos,
Segredam-se as auroras nos meus lábios...

Gigio Jr (Canções – 2008)

SAUDADE


O meu peito deságua em saudade,
Saudade que me banha à emoção...
Como se presa da infelicidade,
Como se (...) de fatal desilusão...

E após a dor do adeus, e após o sonho;
Só resta o amor, no ardor lânguido que tenho!
E retenho a sina, e a sina então proponho
No amor, no sonho, na dor que detenho...

Minh’alma chora, minh’alma conclama
Ruas sem rimas, desrimadas luas...
À saudade que a lágrima cisma.

Mas meu ser é uma chama, é uma chama
Em noites de luar, que enrimam nuas
Fagulhas do teu céu ...que a vida prisma!...

Gigio Jr (Canções – 2008)

NOBRES POETISAS


Leio os versos ardentes e precisos
De nobres poetisas inspiradas;
Que nas canções de amor, apaixonadas,
Reacendem os meus tristes sorrisos...

Cantam saudades, lágrimas e risos;
Paixões enlouquecidas e embriagadas,
Sonhos secretos onde as madrugadas
Espiam curiosas por entre os frisos...

Então minh’alma prenhe de utopias,
Nas noites que segredam fantasias,
Orvalha-se em desejo e sedução...

E dessas musas colho as poesias...:
Campos de amor, carinho, coração;
Céu, mar, chuva, sol, lua, flor, paixão...

Gigio Jr (Canções – 2008)

terça-feira, 5 de julho de 2011

OITO HAIKAIS (Ensaios III)



1.
Quantos anos têm
A alma viajando zen
Entre a terra e o além?

2.
Quantos sonhos vêm
Na vida do poeta sem
Amor de ninguém?

3.
Quantas vidas vão
Depois que no coração
Nasce a solidão?

4.
Quantos sinos batem
Das razões que se debatem
Em paixões que me ardem?

5.
- Tenho bilhões de anos
Entre os mortos e os humanos
Cheios de desenganos!

6.
- Muitos sonhos sonho
Feliz ou mesmo tristonho
Do amor que suponho!

7.
- Sempre há despedidas
Quando sangram as feridas
Já amanhecidas!

8.
- Nossos sinos dobram
Enquanto os sonhos desdobram
Nos versos que sobram!

Gigio Jr (Canções – 2007)

LAGOA/MAR



Ao Carlos Drummond de Andrade

Lagoa

Eu não vi o mar.
Não sei se o mar é bonito,
não sei se ele é bravo.
O mar não me importa.

Eu via a lagoa.
A lagoa, sim.
A lagoa é grande
e calma também.

Na chuva das cores
da tarde que explode
a lagoa brilha
a lagoa se pinta
de todas as cores.
Eu não vi o mar.
Eu vi a lagoa...

(Carlos Drummond de Andrade)

Mar

Drummond:
Eu não vi a lagoa.
Não sei se a lagoa é bonita,
Não sei se ela é calma,
Mas a lagoa me importa.

Eu via o mar.
O mar, sim.
O mar é grande
E bravo também.

No sol das cores
Da manhã que explode
O mar brilha
O mar se pinta
De todas as cores.
Eu não vi a lagoa,
Drummond:
Eu vi o mar!...

Gigio Jr – (Cañções-2008)
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