Areias que segredam os meus versos, Ondas rebentam ...rimas me deságuam. Oh Mar! Lágrimas vivas... Naus dos Cais, Canhões de tuas histórias, submersos...
Mágoas sem esperanças ...velas clamam, No meu coração aos rumos incertos, Longe das baias, perto dos desertos... Onde os ventos não sopram os seus ais...
Veleiro das canções e das poesias Saudade, solidão ...Teu mar é canto, Pranto de poeta a rimar maresias...
Fanais e sinos na ilha de teu adeus Oh minha dor ...contundente, de tanto Colher águas-vivas dos beijos teus!...
Eis...! Um sentimento profundo Faz-me refletir sobre a existência. A tarde, companheira de meus pensamentos, Apaga-se, E a luz da estrela Dalva me seduz!
São infinitos o caminhar e a descoberta... Contemplo os distantes sinais Dum céu de púrpura, Em que outras civilizações pensam também...
Há como um mistério nos olhos da noite, Se a tarde finda, sabedora de meus segredos, A porta de minha vida abre-se, E uma mulher, em forma de amor, Percorre os meus sonhos...
É...! A poesia é cheia de mil perfumes... Mesmo que ela seja composta da realidade Exala-se sutil e formosa; Atrai as abelhas e as senhoras, E quem se alimenta da arte...
Na verdade, várias mãos escrevem por mim. Sangram suas emoções nas madrugadas, Ou no alvorecer...
Ouve-se o mesmo piano, E os estribilhos dos violinos, Em notas complexas de sinais astrais, Rompem as tessituras... Uma revolução interior, Que se chama inspiração, Sonoriza a natureza da vida, Para que os sonhos Nunca morram...
Tu queres que eu te abrace e que eu te beije; E que eu te afague e que eu te acaricie; Porém por mais que, louco, eu te deseje, Teu querer faz com que eu me distancie...
Tu queres que eu te olhe fundo e aprecie Teus dotes de mulher e murmureje Sedução que no poema me silencie, E a quem arrisque tê-la, ou mesmo almeje...
Tu queres... então deixa que eu te tenha, Nos íntimos segredos de uma cama; E sentirás por quem meu amor se ostenta...
Porque se tu me queres assim ...venha Saciar-te, à paixão que me embalsama, Nas pulsões de um amor que se apresenta...
Ah Cantar Com o coração A alegria O sonho O vento O voar A música Do amor Do abraçar Do olhar Cantar Como o Sabiá Canta A harmonia Da vida Quando se sabe amar
Ah Assobiar As notas Que somente podem embalar As crianças No mundo De acordes Onde podemos brincar Dançar Correr Rir E gritar Que a vida é Liberdade Luz Na voz De quem sabe Que a esperança Nasce do sonhar
Ah Mas se há saudade E solidão Se há dor No coração Há um canto Que sem parar Invade a alma E consola Afaga Embora a lembrança Daquele beijo Não queira nos largar
Então vamos cantar O Sol O campo A noite A estrela O luar A vida Na terra E no mar No bosque Onde podemos te encontrar Sabiá
verso e desejo escadas da boêmia noite das ruas antigas da cidade nas esquinas dos sonhos de todas as mulheres as fantasias do amor poema e prazer a nudez de nossos valores cidades iluminadas calçadas e avenidas faróis e encruzilhadas caminhos e degraus subúrbio da psique encontros desafios atração, traição distração assumida riscos a descoberta ligações perigosas rosas vermelhas dilemas previstos da cigana clarividente cartas lidas vidas destinos desastres passionais a cidade silencia a lua ilumina a imensa paixão das horas telúrico rumo dos beijos secretos como fuga incerta da beleza inconfundível do Amor!
Sonhei com os versos de um livro amigo, Que me ensinou a rimar as tuas juras; A escrever um soneto em que te abrigo, Com palavras de mel e sem ranhuras...
Um livro cheio de um perfume antigo, De anseios verbais, exalando censuras; Onde possas dizer o que desdigo: - Que nosso amor é livre e sem clausuras!
Sonhei... com longas páginas vadias, Que só rimavam os nossos odores, Nos beijos, nos abraços carinhosos,
Em que, eu te tocava e tu me despias, Com mãos e lábios, gemidos e suores; Onde as carícias manam vários gozos...
Moro nas terras das palavras mágicas E minha casa é feita de sapês; Espero as madrugadas das poesias, Pra sair a garimpar textos e versos...
Comédias e romances, peças trágicas Nas pedras, nos rios, nas matas de ipês Poetam contos, canções e sinfonias; “Mercúrio” nos meus cânticos submersos...
Diamantes de rimas nas peneiras; E na lama as sangrias das auroras Escondem os desejos com areias...
Garimpo os amanhãs e o entardecer, E as noites são mistérios cheios de horas, Onde apanho o luzir do alvorecer...
É século vinte e um! Surgem das trevas libertas As renovadas ofertas Para as almas sem opção... Que famintas nestes dias, Buscam sonhos, fantasias, Esperanças e alegrias; E se entregam a ilusão!
- Ofereçamos, de novo, A dor profunda da guerra, A depressão que desterra... Trama as trevas sem piedade! - À disforme multidão, Sem lar, sem roupa e sem pão, Levemos a escuridão, A revolta e a crueldade...
- E para os tempos vindouros, Sejam os jovens perdidos E os casais corrompidos, Pelo ciúme e desunião. A criança maltratada, A velhice abandonada, A mocidade viciada, Não importa a condição...
- Que eles esqueçam o Cristo Pregado naquela cruz, Que não percebam a Luz Das fontes do Salvador... Inventemos novos vícios Que tragam mais malefícios, Doenças e desperdícios, Fracassos e desamor...
E ante as trevas, planejando Variadas formas de crimes, Surgem os Anjos Sublimes Mensageiros da Bondade! - Visitemos os irmãos Que vigiam, oram e são Os verdadeiros cristãos, Amantes da caridade...
- Protejamos o trabalho, A escola, a crença e a saúde, As artes na plenitude E a ciência do perdão... Dos rumos da economia Floresça a tecnologia, Que direcione a energia Na distribuição do pão...
- Busquemos a Luz de Deus Na luz das fraternidades; Expandindo as amizades Entre todas as nações... Levemos a tolerância, A fé, o amor e a esperança, A verdadeira aliança Entre as várias religiões...
- Glorifiquemos a Nova Era Com otimismo e alegria, Vigiando noite e dia, Trabalhando para o bem... Pois nas esferas do Amor, Onde não existe mais dor, Jesus - Nosso Salvador, Ora e trabalha também!....
Tu falaste dos nossos encontros Mas não dos versos!
Sabem das noites Das tardes Das praças Dos bosques Das praias...?
Tu contaste?... São tuas amigas!?
Mas eu não rimei As estrelas O pôr-do-sol As ruas As árvores As ondas...
Deixei para que os teus olhos Expressassem A luz O pirilampo As casas As flores As espumas
E que os teus lábios Falassem Da lua Dos encantos Das crianças Dos perfumes Das areias
Pois Por mais que sejam tuas Amigas A poesia e a cantiga São nossos segredos...
O que podes dizer Se não rimei o nosso amor: Nas noites de lua cheia Nas tardes cheias de brisas Nas praças onde me beijas Nos bosques de teus sorrisos Nas praias onde tu és sereia!?...